
Displasia da anca: o que é, sintomas mais comuns e quando procurar tratamento
A displasia da anca é uma alteração na formação da articulação da anca que pode passar despercebida durante muitos anos. Em alguns casos, não provoca sintomas na infância e só se manifesta mais tarde, já na idade adulta, através de dor e limitação da mobilidade resultantes do desgaste precoce da articulação.
Reconhecer os sinais e compreender esta condição é fundamental para evitar complicações futuras e preservar a articulação.
Como funciona a articulação da anca
A anca é uma articulação que funciona como uma “bola dentro dum encaixe”. A cabeça do fémur (osso da coxa) encaixa numa cavidade do osso da bacia chamada acetábulo.
Quando esta articulação se forma corretamente, o encaixe é estável e permite movimentos amplos e indolores, como caminhar, sentar, subir escadas ou rodar a perna.
Na displasia da anca, este encaixe não é perfeito, o que compromete a estabilidade da articulação e aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem.
O que é a displasia da anca?
A displasia da anca é uma condição em que o acetábulo não cobre adequadamente a cabeça do fémur. Como resultado, a articulação fica menos estável e sujeita a lesões e a maior desgaste ao longo do tempo.
Esta alteração pode estar presente desde o nascimento, mas nem sempre provoca sintomas imediatos. Em muitos casos, a articulação funciona durante anos sem dor significativa, o que explica porque o diagnóstico pode ser tardio.
Porque a displasia da anca pode passar despercebida
Quando a displasia é ligeira e com a compensação de outras estruturas do corpo, nomeadamente da coluna lombar e dos músculos da cintura pélvica e da coxa, a deformidade pode passar despercebida durante muitos anos. No entanto, esta compensação aumenta a carga sobre a cartilagem, o tecido que reveste as superfícies articulares e permite movimentos suaves.
Com o passar dos anos, podem surgir lesões da articulação (labrum, cartilagem) que se manifestam por dor e limitação funcional (sobretudo durante o exercício físico/esforço). As lesões articulares evoluem gradualmente acentuando-se o desgaste articular - artrose. Nessa fase a dor é ainda mais intensa e incapacitante e acompanhada de perda de mobilidade ou rigidez.
Sintomas mais comuns da displasia da anca
Os sintomas da displasia da anca podem variar ao longo da vida e dependem da gravidade da alteração e do nível de atividade.
Entre os sinais mais frequentes estão:
Dor na anca (virilha, região trocantérica, nádega, coxa)
Desconforto ao caminhar ou após esforços prolongados
Sensação de instabilidade na anca
Rigidez ou limitação dos movimentos
Dor que irradia para a coxa ou para o joelho
Dificuldade em realizar atividades do dia a dia, como subir escadas ou calçar meias/sapatos
Em muitos casos, a dor pode surgir de forma progressiva e é inicialmente atribuída a “cansaço” ou esforço excessivo.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da displasia da anca começa com uma avaliação clínica, onde o ortopedista analisa os sintomas, a mobilidade da anca e a forma como a articulação se comporta durante o movimento.
Para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da alteração, são habitualmente utilizados exames de imagem, como radiografias ou outros exames complementares, que permitem observar o formato da articulação e o estado da cartilagem.
Opções de tratamento
O tratamento da displasia da anca depende de vários fatores, como a idade, a gravidade da displasia, os sintomas e o impacto na qualidade de vida.
As opções podem incluir:
Ajustes da actividade física
Fisioterapia para melhorar a mobilidade e o controlo muscular
Estratégias para reduzir a sobrecarga da articulação
Tratamento cirúrgico em casos selecionados, dependendo do estado da articulação (com preservação da articulação ou de substituição articular - prótese da anca)
O plano de tratamento deve ser sempre individualizado, tendo em conta as necessidades e os objetivos de cada pessoa.
A displasia da anca é a única causa de dor nesta articulação?
Não. A dor na anca pode ter várias origens. A displasia da anca é uma delas, mas existem outras condições que também podem provocar dor, rigidez ou limitação de movimentos.
Para ajudar a compreender melhor este tema, reunimos no artigo
“10 causas para a dor na anca” as principais situações que podem estar na origem desta queixa, desde alterações articulares até problemas musculares ou tendinosos.
🔗 https://www.ortocentro.pt/post/10-causas-para-a-dor-na-anca
Conclusão
A displasia da anca não é apenas um problema da infância. Pode acompanhar a pessoa ao longo da vida e manifestar-se mais tarde com dor, limitação funcional ou desgaste precoce da articulação.
Reconhecer os sintomas e procurar uma avaliação especializada atempadamente pode fazer toda a diferença na preservação da anca, na redução da dor e na melhoria da qualidade de vida.









