Avaliação da anca em paciente com dor na anca ou displasia da anca

Displasia da anca: o que é, sintomas mais comuns e quando procurar tratamento

May 01, 20264 min read

A displasia da anca é uma alteração na formação da articulação da anca que pode passar despercebida durante muitos anos. Em alguns casos, não provoca sintomas na infância e só se manifesta mais tarde, já na idade adulta, através de dor e limitação da mobilidade resultantes do desgaste precoce da articulação.

Reconhecer os sinais e compreender esta condição é fundamental para evitar complicações futuras e preservar a articulação.

 

Como funciona a articulação da anca

A anca é uma articulação que funciona como uma “bola dentro dum encaixe”. A cabeça do fémur (osso da coxa) encaixa numa cavidade do osso da bacia chamada acetábulo.

Quando esta articulação se forma corretamente, o encaixe é estável e permite movimentos amplos e indolores, como caminhar, sentar, subir escadas ou rodar a perna.

Na displasia da anca, este encaixe não é perfeito, o que compromete a estabilidade da articulação e aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem.

O que é a displasia da anca?

A displasia da anca é uma condição em que o acetábulo não cobre adequadamente a cabeça do fémur. Como resultado, a articulação fica menos estável e sujeita a lesões e a maior desgaste ao longo do tempo.

Esta alteração pode estar presente desde o nascimento, mas nem sempre provoca sintomas imediatos. Em muitos casos, a articulação funciona durante anos sem dor significativa, o que explica porque o diagnóstico pode ser tardio.

Porque a displasia da anca pode passar despercebida

Quando a displasia é ligeira e com a compensação de outras estruturas do corpo, nomeadamente da coluna lombar e dos músculos da cintura pélvica e da coxa, a deformidade pode passar despercebida durante muitos anos. No entanto, esta compensação aumenta a carga sobre a cartilagem, o tecido que reveste as superfícies articulares e permite movimentos suaves.

Com o passar dos anos, podem surgir lesões da articulação (labrum, cartilagem) que se manifestam por dor e limitação funcional (sobretudo durante o exercício físico/esforço). As lesões articulares evoluem gradualmente acentuando-se o desgaste articular - artrose. Nessa fase a dor é ainda mais intensa e incapacitante e acompanhada de perda de mobilidade ou rigidez.

Sintomas mais comuns da displasia da anca

Os sintomas da displasia da anca podem variar ao longo da vida e dependem da gravidade da alteração e do nível de atividade.

Entre os sinais mais frequentes estão:

  • Dor na anca (virilha, região trocantérica, nádega, coxa)

  • Desconforto ao caminhar ou após esforços prolongados

  • Sensação de instabilidade na anca

  • Rigidez ou limitação dos movimentos

  • Dor que irradia para a coxa ou para o joelho

  • Dificuldade em realizar atividades do dia a dia, como subir escadas ou calçar meias/sapatos

Em muitos casos, a dor pode surgir de forma progressiva e é inicialmente atribuída a “cansaço” ou esforço excessivo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da displasia da anca começa com uma avaliação clínica, onde o ortopedista analisa os sintomas, a mobilidade da anca e a forma como a articulação se comporta durante o movimento.

Para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da alteração, são habitualmente utilizados exames de imagem, como radiografias ou outros exames complementares, que permitem observar o formato da articulação e o estado da cartilagem.

Opções de tratamento

O tratamento da displasia da anca depende de vários fatores, como a idade, a gravidade da displasia, os sintomas e o impacto na qualidade de vida.

As opções podem incluir:

  • Ajustes da actividade física

  • Fisioterapia para melhorar a mobilidade e o controlo muscular

  • Estratégias para reduzir a sobrecarga da articulação

  • Tratamento cirúrgico em casos selecionados, dependendo do estado da articulação (com preservação da articulação ou de substituição articular - prótese da anca)

O plano de tratamento deve ser sempre individualizado, tendo em conta as necessidades e os objetivos de cada pessoa.

A displasia da anca é a única causa de dor nesta articulação?

Não. A dor na anca pode ter várias origens. A displasia da anca é uma delas, mas existem outras condições que também podem provocar dor, rigidez ou limitação de movimentos.

Para ajudar a compreender melhor este tema, reunimos no artigo
10 causas para a dor na anca” as principais situações que podem estar na origem desta queixa, desde alterações articulares até problemas musculares ou tendinosos.

🔗 https://www.ortocentro.pt/post/10-causas-para-a-dor-na-anca

Conclusão

A displasia da anca não é apenas um problema da infância. Pode acompanhar a pessoa ao longo da vida e manifestar-se mais tarde com dor, limitação funcional ou desgaste precoce da articulação.

Reconhecer os sintomas e procurar uma avaliação especializada atempadamente pode fazer toda a diferença na preservação da anca, na redução da dor e na melhoria da qualidade de vida.

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